O Conselho Deliberativo do São Paulo realiza nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026), a partir das 18h30, a votação do pedido de impeachment do presidente Júlio Casares. A reunião acontecerá no estádio do Morumbis, em formato híbrido, com a participação presencial e virtual dos conselheiros.
O processo de impeachment do presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, entrou em um momento decisivo e expõe uma das maiores crises políticas recentes da história do clube.
As acusações envolvem investigações sobre movimentações financeiras consideradas atípicas, como saques em dinheiro vivo das contas do clube e depósitos fracionados em conta pessoal do dirigente, fatos que passaram a ser analisados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Do ponto de vista dos conselheiros que lideram o pedido de afastamento, essas práticas levantam suspeitas de má gestão e falta de transparência administrativa, o que justificaria a abertura do processo político no Conselho Deliberativo. Para esse grupo, o clube teria sido exposto a riscos institucionais e financeiros incompatíveis com padrões modernos de governança.
A defesa de Casares e a leitura interna do clube
Júlio Casares, por sua vez, nega categoricamente qualquer prática ilícita. Segundo o presidente, todas as movimentações financeiras possuem lastro legal, explicações documentadas e estão devidamente registradas. Ele sustenta que jamais se apropriou de recursos do São Paulo e que não houve prejuízo ao patrimônio do clube.
Na avaliação de Casares e de seus aliados, o processo ganhou contornos políticos exacerbados, impulsionados por uma oposição mais radical, que se vale do momento de instabilidade esportiva e administrativa para tentar enfraquecer a atual gestão. O presidente entende que houve exagero e distorção dos fatos, com interpretações fora de contexto que alimentaram uma narrativa de crise maior do que a realidade dos autos.
Essa percepção, inclusive, não se limita à base governista. Nos bastidores do Morumbi, até mesmo parte da oposição reconhece que há excesso na condução do processo, avaliando que as acusações, embora mereçam apuração, não configuram, neste momento, provas suficientes para justificar a destituição do presidente.
Clima político e tendência de votação
Diante desse cenário, o ambiente no Conselho Deliberativo indica um quadro menos favorável ao impeachment do que inicialmente se projetava. A exigência de quórum qualificado, dois terços dos votos dos conselheiros presentes eleva significativamente a dificuldade para a aprovação do afastamento.
Com o avanço das discussões, a leitura predominante é de que Júlio Casares deve obter votos suficientes para permanecer no cargo, encerrando o processo ainda na esfera do Conselho. A tendência é que prevaleça o entendimento de que as investigações devem seguir seu curso nos órgãos competentes, sem que isso resulte, neste momento, em uma ruptura institucional dentro do clube.
(Para que a sessão seja válida, é necessário um quórum mínimo de 191 conselheiros. Já a aprovação do impeachment exige 171 votos favoráveis, o equivalente a dois terços do Conselho Deliberativo)
Um momento decisivo para o São Paulo
Independentemente do desfecho, o episódio expõe fragilidades históricas na política interna do São Paulo e reforça a necessidade de aprimorar mecanismos de controle, transparência e governança. Para Casares, permanecer no cargo significará não apenas uma vitória política, mas também o desafio de reconstruir pontes internas e devolver estabilidade a um clube que vive forte pressão esportiva e institucional.

