Sob intensa pressão interna e externa, o São Paulo enfim conseguiu oferecer uma resposta dentro de campo na temporada 2026. A vitória por 1 a 0 sobre o São Bernardo, na noite de 15 de janeiro, pelo Campeonato Paulista, representou não apenas o primeiro triunfo do ano, mas também um marco simbólico de virada para uma equipe que vinha convivendo com desconfiança, manifestações da torcida e inúmeras interrogações quanto ao rumo esportivo, à composição do elenco e ao comando técnico.
Por Paulinho Cunha / Crédito Imagens: Rubens Chiri e Paulo Pinto
Um ambiente de cobrança e tensão
O Morumbi foi cenário de um clima carregado antes e durante a partida. Protestos direcionados à diretoria, críticas contundentes ao desempenho recente e à condução política do clube ajudaram a construir um ambiente adverso. O São Paulo entrou em campo pressionado não só pela urgência do resultado, mas também pela necessidade de apresentar sinais claros de evolução, especialmente após atuações decepcionantes no início do Paulistão. Diante desse contexto, qualquer novo tropeço poderia aprofundar ainda mais o cenário de instabilidade.
Mudança de esquema e leitura estratégica
Atento ao momento delicado, Hernán Crespo promoveu ajustes significativos no desenho tático da equipe. O São Paulo abandonou a insistência em um modelo que vinha apresentando fragilidades e passou a adotar uma formação mais equilibrada, com foco na solidez defensiva e na melhor ocupação dos espaços no meio-campo. O time apresentou maior compactação entre as linhas, melhor sincronização defensiva e uma postura mais pragmática, sem abdicar da iniciativa ofensiva.

A alteração foi decisiva para neutralizar o São Bernardo, que buscava se aproveitar de falhas na saída de bola e das transições rápidas. Diferentemente de partidas anteriores, o Tricolor cometeu menos erros, controlou o ritmo do jogo com mais maturidade e soube exercer paciência até encontrar os espaços necessários para construir o resultado.
Destaques individuais e um retorno emblemático
Luciano foi decisivo ao marcar o gol da vitória do São Paulo aos 33 do segundo tempo, aproveitando com oportunismo uma chance dentro da área e confirmando, mais uma vez, seu faro de gol em jogos importantes. Ídolo recente do clube, o camisa 10 segue como peça fundamental do elenco, exercendo papel de liderança técnica e sendo determinante nos momentos decisivos. Com o gol, Luciano entra para um seleto grupo da história tricolor, reforçando ainda mais sua relevância e seu legado com a camisa do São Paulo.

Um dos momentos mais simbólicos da noite foi o retorno de Jonathan Calleri aos gramados após quase nove meses afastado por lesão. Ainda distante de sua plenitude física, o camisa 9 celebrou o reencontro com o campo, reconheceu o impacto do longo período de inatividade e chegou a brincar ao afirmar que “as pernas pesaram o dobro”. Mesmo assim, sua presença teve forte efeito emocional: liderança, espírito competitivo e referência ofensiva — características que fizeram falta ao time durante sua ausência.
Além de Calleri, outros atletas apresentaram atuações consistentes, sobretudo no setor defensivo, que vinha sendo alvo recorrente de críticas. O São Paulo demonstrou maior nível de concentração, reduziu os erros individuais e exibiu uma postura mais combativa, elemento fundamental para um elenco que busca recuperar confiança.
Mercado, bastidores e incertezas
Apesar do alívio proporcionado pela vitória, os bastidores seguem em ebulição. Crespo reconheceu publicamente a possibilidade de mudanças no elenco, incluindo a situação de Alisson, alvo de interesse do Corinthians. Ao afirmar que o clube “não fecha portas”, o treinador evidenciou a necessidade de ajustes tanto esportivos quanto financeiros. Declarações como essa reforçam a percepção de que o São Paulo ainda atravessa um período de transição, tentando equilibrar resultados imediatos, limitações orçamentárias e planejamento de médio prazo.
O que a vitória representa e o que não representa
É fundamental compreender que o triunfo sobre o São Bernardo não soluciona todos os problemas do São Paulo. Persistem falhas técnicas, limitações estruturais e questões políticas que continuam impactando o cotidiano do clube. Ainda assim, o resultado carrega um peso simbólico relevante: reduz a pressão imediata, fortalece o trabalho de Crespo e estabelece um ponto de partida mais sólido para a sequência da temporada.
Mais do que os três pontos, o São Paulo apresentou sinais claros de evolução coletiva, adaptação tática e, sobretudo, competitividade — um atributo que vinha faltando. Transformar essa atuação em padrão, e não em um episódio isolado, dependerá da consistência apresentada nos próximos compromissos.
A noite marcada por protestos terminou com aplausos contidos e um perceptível sentimento de alívio no Morumbi. O São Paulo venceu, mostrou desempenho superior ao das partidas anteriores e comprovou que, mesmo sob forte pressão, ainda é capaz de reagir. O desafio, a partir de agora, é sustentar essa evolução, proteger o elenco das turbulências políticas e utilizar essa vitória como alicerce para construir um 2026 mais estável e competitivo dentro de campo.
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✅ FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO X SÃO BERNARDO
CAMPEONATO PAULISTA - 2ª RODADA
📆 Data e horário: quinta-feira, 15 de janeiro, às 21h45 (de Brasília);
📍 Local: Morumbis, São Paulo (SP)
🟨 Árbitro: Murilo Tarrega Victor
🚩 Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis e Bruno Silva de Jesus
📺 VAR: Márcio Henrique de Góis
🟨 Cartões amarelos: João Paulo, Pará, Pedro Vitor (São Bernardo); Wendell (São Paulo)
🟥 Cartões Vermelhos:
⚽ Gols: Luciano (1-0)
SÃO PAULO: Rafael; Cédric, Arboleda, Sabino e Wendell (Nicolas); Pablo Maia (Bobadilla), Danielzinho e Lucas Moura (Calleri); Lucca (Paulinho), Ferreirinha e Tapia (Luciano). Técnico: Hernán Crespo.
SÃO BERNARDO: Alex Alves; Hugo Sanches, Wellington Manzoli, Hélder e Pará (Mário Sérgio); Foguinho (Marcão Silva), Romisson, João Paulo; Victor Andrade (Pedrinho), Felipe Garcia e Echaporã (Pedro Vitor). Técnico: Ricardo Catalá.

